Grandes empresas estão contratando pequenas e médias agências de aplicativos para conquistar novos clientes. Utilizando dispositivos sem fio (apps), essas agências precisam apresentar soluções que ajudem a vender os produtos das marcas, sejam fáceis de usar e mostrem uma interface gráfica atraente.
O empresário Daniel Daud resolveu levar sua experiência de mais de dez anos no setor de moda para investir nesse novo segmento, já considerado o pré-sal das telecomunicações móveis. Neste ano, com mais um sócio, abriu a TransitMidia, empresa de desenvolvimento de aplicativos para dispositivos sem fios, os apps. “Quem for criativo e sair na frente ocupará um espaço importante dentro da massa de consumidores que surge com esse novo mercado”, diz.
Daud está de olho em um setor que, segundo a consultoria IDC, vale US$ 12,3 milhões em negócios, em todo o mundo. “A perspectiva para 2014 é que esse número salte para US$ 37,5 milhões”, afirma João Bruder, analista de telecomunicações da IDC no Brasil.
No próximo ano, há oportunidades de trabalho em todas as companhias ouvidas pelo Valor. Algumas delas devem reservar quase 20% do orçamento de tecnologia para projetos de aplicações móveis. “Cerca de 3% da nossa movimentação já é gerada por dispositivos sem fio”, afirma Helisson Lemos, diretor do site MercadoLivre.
A Suvinil, marca de tintas da Basf, encomendou para a agência PorQueNão? aplicativo para celulares que ajuda o consumidor a escolher entre 1,5 mil tons, identificados em fotos, e calcular a quantidade necessária do material.
Para tablets, a opção é um guia de tendências, com vídeos e depoimentos de especialistas em decoração. Gratuitos, os programas são encontrados nas lojas on-line App Store e Android Market. “Já temos cerca de 50 mil usuários”, ressalta Daniela Ferreroni, gerente de propaganda e promoção da Suvinil.
Segundo a executiva, a marca percebeu a necessidade de investir em plataformas digitais que ajudassem o consumidor a comprar. A fabricante, que estuda a criação de novos aplicativos, também está atenta aos profissionais de arquitetura. “Com os aplicativos, eles podem mostrar aos clientes opções de cores e tipos de materiais”, diz. “Procuramos apps que mostrem criatividade, interação e facilidade de uso.”
Na Gafisa, os programas desenvolvidos oferecem busca no portfólio de empreendimentos, com acesso a fotos, plantas e tour virtual dos imóveis. “Há opções para contato com o corretor, acompanhamento em tempo real da obra e um simulador de financiamento”, explica o gerente de comunicação digital Eduardo Alves. Mais de 130 mil usuários usam os apps.
Para Alves, a novidade funciona como um novo canal de vendas. “Os aplicativos aumentam as consultas e incrementam a geração de leads de negócios.” No primeiro semestre de 2012, a Gafisa lançará versões para celulares com o sistema operacional Android.
Para garimpar alternativas no mercado de apps, Alves monitora lançamentos de programas no setor de imóveis, faz varreduras nas redes sociais e em blogs especializados. “Utilidade e funcionalidade são os pontos mais importantes. Ao escolher um aplicativo, partimos de premissas como a relevância junto ao público, novidades em geolocalização e funções que facilitam a compra de produtos.”
Segundo Maurício Macias, gerente de TI da Nutricash, da área de benefícios e gerenciamento de frotas, os apps devem oferecer o maior número de informações, de forma intuitiva. “O usuário tem de ter mais dados com menos cliques”, ensina ele.
No mês passado, a empresa lançou dois sistemas para consulta de saldos de cartões de benefícios, como alimentação e compras com desconto em folha – 200 usuários aderiram à facilidade. “Cerca de 20% da verba de tecnologia em 2012 irá para projetos de aplicações móveis.”
No primeiro trimestre de 2012, a Nutricash deve montar aplicações com novos recursos, como consulta a extratos por período, busca da rede credenciada por meio de mapas e divulgação de promoções. “O marketing digital é importante para o sucesso de qualquer aplicativo”, avisa Macias. “Se não existir divulgação da solução, ela ficará escondida junto com outras que surgem a cada dia.”
A fabricante de computadores Positivo Informática aproveitou o lançamento do tablet Ypy, em setembro, para popularizar também sua loja de soluções móveis. O equipamento, de fabricação nacional, sai da caixa com mais de 50 aplicativos pré-instalados.
Para garantir sucesso entre os concorrentes, o gerente de produto da Positivo, Albert Florêncio da Costa, aconselha aos desenvolvedores cadastrarem todas as características do software na descrição do produto e escolher as categorias em que a solução se encaixa melhor. Os cuidados podem ajudar o usuário na hora da escolha. “As empresas devem caprichar na parte gráfica para que o produto se venda na primeira impressão.”
No MercadoLivre, cerca de 3% do tráfego do endereço eletrônico já é gerado por dispositivos móveis, com um crescimento médio de 10% ao mês. O site de compra e venda de produtos, com 62 milhões de usuários na América Latina, passou a trabalhar com parceiros na área de aplicativos este ano.
Em agosto, firmou parceria com a Navita e lançou uma solução de compra para aparelhos BlackBerry, da Research In Motion (RIM). Em outubro, ingressou nos mercados de iPhones e Android. “Este mês, viabilizamos compras por meio de smartphones da Nokia “, diz Lemos, do MercadoLivre.
Segundo o diretor do site, com o celular, é possível pesquisar produtos e preços, salvar itens como favoritos e fazer ofertas. “Usamos um software leve, com carregamento rápido de páginas.” Quatro meses após o lançamento da tecnologia, a empresa superou a marca de um milhão de downloads dos aplicativos lançados.
Leonardo Gmeiner, CEO da Intuitive Appz, que criou apps para a Unimed, lembra que, antes de desenvolver soluções para as grandes corporações, é preciso vencer barreiras como a falta de conhecimento no segmento e a concorrência que vem do exterior. “Por ser uma área nova, as soluções fazem parte dos projetos de apenas algumas empresas e, em alguns casos, os apps desenvolvidos vêm de matrizes de fora do Brasil.”
Com seis funcionários e a perspectiva de faturar R$ 800 mil em 2011, a Intuitive desenvolve soluções sob demanda, com recursos de realidade aumentada e geolocalização. Os aplicativos de realidade aumentada identificam imagens e podem ser usados para listar serviços, endereços e informações extras na tela do celular.
“Vamos lançar opções de entretenimento para o Facebook e avançar em outros mercados.” Criada em agosto de 2010, a empresa está trabalhando com uma representação comercial nos Estados Unidos. (Informações do Valor)
Compartilhe:










